O Monte da Paz.

O Monte da Paz.
04/02

O Monte da Paz.

 Mestre, qual é o grande mandamento da lei? Jesus disse-lhe:

— Mestre, qual é o grande mandamento da lei? Jesus disse-lhe: — Amarás o senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo semelhante a este, é: — Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas. (Êxodo 20:1-17; Mateus 22: 37-39) 

Em 1997, eu e Euse estivemos no Monte Sinai, no Egito. O Monte da Paz! Uma experiência inesquecível para nós. Três mil metros em pedra seca, escarpada, roxa, causticante, aparentemente, sem nenhuma vida, a não ser a dos peregrinos do mundo inteiro que para lá vão em busca de um lenitivo, de uma comunhão com Deus. Lugar em que Moises recebeu os Dez Mandamentos. É místico, encantador, diferente. Eu e Euse e mais alguns amigos e irmãos do Rio, São Paulo, Acre e Brasília vivemos, ali, momentos singulares. Foi uma viagem extraordinária. Começamos a subida por volta das duas horas da madrugada e atingimos o cume pétreo do monte, quatro horas depois, já raiando o dia. Foi encantador! Deslumbrante! Apesar do estresse, aquela noite estava linda, enluarada, clara. Ainda bem, pois o rústico e simples hotel em que estávamos hospedados na base do monte, não tinha naquele dia, nem uma lanterna, sequer, para comprarmos. Não nos fez falta nenhuma, graças a Deus. Subida íngreme, cheia de precipícios, cansativa, sem qualquer corrimão, encosto ou protetor. Quem quisesse, poderia alugar um camelo, que ia até certo ponto do pico. Depois, só a pé. A Euse, depois de caminhar bastante, montou num camelo, que ia pela beirada de precipícios. De cima do camelo, parecia que a altura era ainda maior e mais assustadora. Por mais que pedisse ao menino que a guiava que tirasse o camelo da beira do precipício ele nada entendia. Línguas diferentes. Assim, fomos subindo, subindo, rumo ao ponto mais alto do monte, possível lugar aonde Deus falou com Moisés e ditou-lhe os Dez Mandamentos, gravando-os em fogo, em pranchas de pedra, como nos conta (Êxodo 20:1-17), resumido depois, por Jesus Cristo (Mateus 22: 37-39), acima escrito.


Lá no alto, há uma capela que, naquele momento, seis horas da manhã, estava fechada. Muitos peregrinos de diversas partes do mundo se reuniam naquele pico pontiagudo, estreito e pequeno. Alguns em silêncio. Outros, orando e cantando lindos hinos e canções sacras. Cada grupo em sua língua pátria. Sem qualquer instrumento. À capela! Apenas a voz humana, louvando e rendendo Graças ao nosso Deus. Cânticos maravilhosos, belos, inesquecíveis! Até hoje os temos em nossas memórias, em nossos corações. O nosso grupo também cantava e cultuava, agradecendo a Deus pela vida e pela alegria de estarmos ali, naquele lugar mágico! Embora ao seu redor a guerra entre Israel e os países árabes persistissem, estourando bombas e canhões, quebrando com o ambiente silencioso e pacífico! Concluído o culto, começamos a descer. Para subir levamos 4 (quatro) horas. Para descer, 3 (três). Diz o ditado popular que ”Para baixo, todo santo ajuda”. Mas sentimos que, como sempre descemos freando, nossas pernas doeram ainda mais. Quando chegamos embaixo, eu estava com os dedos cheios de bolhas, alguns sangrando! Ai é que pude perceber porque nos levaram a escalar o monte a noite. Primeiro, porque é mais fresco, não há aquele calor abrasador do deserto, com o sol causticante. Segundo, porque, se víssemos e conhecêssemos os lugares escarpados, perigosos, pontiagudos, por onde teríamos que passar, talvez não continuássemos com a nossa peregrinação! Só fomos ver depois que descemos, com o dia claro e olhando para o monte. 

Hoje, no silêncio da vida, nos momentos de solidão, de introspecção, recordo os belos hinos que ali ouvi. Maviosos, penetrantes, cantados por centenas de pessoas, em diversas línguas, em pequenos grupos! Hoje, quase não podemos mais sentir desta forma, pois em muitas de nossas igrejas, os cânticos são feitos a todo pulmão, com os instrumentos em grande volume. Alguns com mais de 120 ou 150 decibéis – ruídos sonoros, poluentes, inclusive disciplinados e, até proibidos pela nossa legislação em vigor. Estamos perdendo na maviosidade, na harmonia, na beleza e ganhando no “quem fala” ou “canta mais alto”. Vamos resgatar a beleza e a qualidade da nossa música sacra? Especialmente em nossos Templos onde vamos para cultuar a Deus?

a).Ettore Dalboni da Cunha EGD/2009/2010 - Advogado 

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