Até quando seremos complacentes com o PCC

Até quando seremos complacentes com o PCC
16/04

Até quando seremos complacentes com o PCC

Até quando o mundo financiará ditaduras?

Escrevem: Ettore Dalboni da Cunha

Lincoln Ferreira Dalboni

 

O título desse artigo parece fazer referência àquela organização criminosa nascida em São Paulo, que hoje está ramificada por todo o Brasil e em alguns países vizinhos. Sem dúvida, trata-se de uma organização perigosa e que não devemos aceitar.

Entretanto, pretendo aqui me referir a outra entidade, muito maior, mais perigosa, antiética e desonesta. Falo do Partido Comunista Chinês, a partir daqui referido apenas por PCC.

Há algumas décadas os países do ocidente tem feito investimentos, transferindo suas plantas industriais e fornecendo tecnologia à China, que se tornou a segunda maior economia do mundo.

É certo que tais ações vem, ao longo dessas décadas, financiado um regime político autoritário, ditador e desumano.

Lá existem campos de concentração (chamados de campos de reeducação), onde são mantidos mais de um milhão de prisioneiros da etnia uigur, que somente são libertados após longa lavagem cerebral onde são obrigados a jurar lealdade e obediência ao PCC.

Segundo a Anistia Internacional, o sistema de justiça criminal da China se vale, em grande volume, de confissões forçadas, obtidas por meio de tortura e maus-tratos. Os advogados que persistem em dar queixa de abusos, são ameaçados, assediados, ou mesmo detidos e torturados.

Não permite a existência de uma imprensa livre ou qualquer resquício de liberdade de expressão. A internet é controlada por poderosos firewalls, que censuram quaisquer termos que desagradem à sua cúpula. Jornalistas que desafiam o PCC são detidos ou simplesmente desaparecem. Correspondentes de órgãos de imprensa estrangeiros são expulsos, se divulgarem quaisquer informações que desagradem ao PCC.

Embora todos sempre soubessem das violações praticadas pelo PCC contra seu povo, ninguém jamais se importou, afinal, quem sofre com tal ditadura é o povo chinês.

O mundo sempre ficou indiferente à tais arbitrariedades perpetradas pelo PCC. Preferiu valer-se de boas relações comerciais, afinal, lá se poderia produzir com baixo custo, a população é numerosa e tem interesse em adquirir commodities agrícolas. Sua indústria pujante é boa cliente para produtos siderúrgicos.

Como sempre foi conveniente, preferimos ser coniventes, senão cúmplices, ao financiar a ditadura do PCC e a violação aos direitos mais elementares.

Segundo Kenneth Roth, Diretor do Human Rights Watch, “Se não forem combatidas, as ações de Pequim prenunciam um futuro distópico, em que ninguém está fora do alcance da censura chinesa, e onde o sistema internacional de proteção dos direitos humanos, tão enfraquecido, não servirá mais como um freio à repressão governamental”.

Nossa hora chegou! Estamos pagando o preço da conivência. Ao contrário do que todo o ocidente pensava, a violação de direitos ultrapassou as fronteiras e está, agora, custando a vida, a saúde, a liberdade e a economia de todo o mundo. Estamos, hoje, reclusos, empobrecendo e correndo risco de vida, por termos financiado a brutalidade do PCC.

Logo que surgiram os primeiros casos do novo coronavirus, o PCC tratou de esconder da própria população e do resto do mundo.

O médico Li Wenliang, ao perceber a nova doença, avisou a outros colegas, médicos, para que auxiliassem no tratamento e para que adotassem medidas de proteção contra o contágio. Entretanto, tal médico foi detido pelo PCC, obrigado a publicamente se retratar, bem como a comprometer-se a não mais divulgar informações que desagradassem ao PCC. Infelizmente, tal médico acabou morrendo, ao que divulgaram, da própria doença.

Aos 25/12 a médica Lu Xiaohong identificou diversos casos de infecção pulmonar entre profissionais de saúde e suspeitou que tal doença se propagava de pessoa para pessoa. Em um país livre, poderia ter divulgado tal informação, mas na China isso não é possível.

O jornalista independente Chen Qiushi, que cobria a epidemia, publicou em sua rede social, no início de fevereiro: "Tenho medo. Diante de mim, há o vírus. Atrás de mim, o governo da China". Tal jornalista desapareceu em 06 de fevereiro.

Aos 10/02/2020, o PCC prendeu o jornalista Fang Bin, após publicar na internet um vídeo que mostrava os corpos de vítimas fatais do coronavírus.

O PCC não poupou esforços para manter funcionando sua máquina de propaganda, às custas de censura, reprogramação de firewall, prisões ilegais e até desaparecimento de críticos. Nesse intuito, vem divulgando números de mortos e infectados inferiores aos reais. Baseados nos números mentirosos, os países que se contagiaram em seguida não se prepararam para enfrentar a real pandemia. Infelizmente, o PCC continua mentindo.

Tais atos impediram que as pessoas próximas ao epicentro da doença soubessem dos riscos e adotassem precauções para evitar a contaminação e disseminação. Da mesma forma, que o mundo adotasse ações que pudessem frear a disseminação da gripe de Wuhan.

Segundo a entidade Repórteres sem Fonteira, “sem o controle e a censura impostos pelas autoridades, a mídia chinesa teria informado muito antes ao público sobre a gravidade da epidemia, salvando milhares de vidas e possivelmente evitando a atual pandemia".

Segundo estudo da University of Southampton, caso a china tivesse agido para conter a epidemia, uma, duas ou três semanas antes de anunciar sua existência, o número de contagiados teria sido 66%, 86% ou 95% menor, respectivamente. Ou seja, se ao invés de esconder a doença, tivesse adotados medidas para sua contenção, hoje não viveríamos uma pandemia. Aliás, se simplesmente não tivesse feito nada, a situação atual seria muito melhor.

Estamos pagando o preço por jamais termos nos importado com as violações de direitos humanos na China, não apenas as ignorando mas, principalmente, financiando seu regime autoritário.

A indagação que se deve fazer é quanto ao rumo que o mundo tomará após tal pandemia. É certo que um dia passará, mas vamos continuar financiando a ditadura chinesa, que tantos prejuízos vem causando ao mundo? Já passou da hora desse regime ruir, pelo bem dos chineses e de todos nós.

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